Introdução:
A recuperação pós-operatória é um processo complexo que depende de múltiplos fatores fisiológicos e assistenciais. A integração entre fisioterapia e nutrição clínica tem se mostrado fundamental para otimizar o tempo de internação, reduzir complicações e melhorar os desfechos funcionais. A atuação precoce desses profissionais permite manter a função muscular, favorecer a cicatrização tecidual e restaurar o equilíbrio metabólico, impactando positivamente a evolução clínica do paciente cirúrgico.
Objetivo:
Analisar o impacto da atuação integrada das equipes de fisioterapia e nutrição sobre o tempo de internação hospitalar de pacientes submetidos a cirurgias de médio e grande porte.
Metodologia:
Estudo retrospectivo, de caráter quantitativo e analítico, realizado por meio da revisão de prontuários eletrônicos de 310 pacientes internados em unidade cirúrgica de um hospital geral entre janeiro de 2021 e dezembro de 2024. Os participantes foram divididos em dois grupos: grupo intervenção (n=158), com acompanhamento fisioterapêutico e nutricional diário, e grupo controle (n=152), que recebeu cuidados convencionais. As variáveis analisadas incluíram tempo de internação, incidência de complicações respiratórias, distúrbios metabólicos e tempo até a deambulação. Os dados foram submetidos à análise estatística descritiva e inferencial, utilizando teste t de Student e qui-quadrado, com nível de significância de p<0,05.
Resultados:
Os pacientes do grupo intervenção apresentaram tempo médio de internação significativamente menor (5,8 ± 1,9 dias) em comparação ao grupo controle (8,3 ± 2,4 dias; p<0,001). A incidência de complicações respiratórias reduziu-se de 14,5% para 6,3%, e o tempo médio para deambulação independente foi antecipado em 1,7 dia. Houve ainda menor ocorrência de distúrbios nutricionais no grupo intervenção.
Conclusão:
A implementação de protocolos multidisciplinares envolvendo fisioterapia e nutrição no pós-operatório resulta em desfechos clínicos mais favoráveis, com redução significativa do tempo de internação e das complicações associadas. Esses dados reforçam a relevância de estratégias integradas e baseadas em evidências na assistência cirúrgica moderna.
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